Artistas se unem a internautas contra censura de Burguês

por Léo Quintino Email

De Larissa Arantes, no Tempo:

Setor cultural vai reagir se autor da marchinha for processado

Se o advogado do presidente da Câmara de Belo Horizonte, Léo Burguês (PSDB), queria preservar a imagem do cliente ao pedir a retirada do ar da marchinha “Na coxinha da madrasta", a reação acabou sendo contrária. Internautas e artistas da capital se uniram nas redes sociais para não apenas disponibilizar novamente o áudio, como também protestar contra o que chamaram de censura por parte de Burguês.

A marchinha, composta pelo músico Flávio Henrique, foi criada após reportagem publicada por O TEMPO em 16 de janeiro, com a revelação de que Burguês gastou R$ 1.500 por mês, desde 2009, com lanches comprados na mini-mercearia da madrasta.

Flávio Henrique afirma que cumpriu a exigência do advogado porque não quer que a composição seja motivo de uma batalha judicial. “O arquivo que eu disponibilizei (na internet) foi retirado, mas eu não tenho controle das reproduções que caíram na rede", acrescentou.

O autor da marchinha conta ainda que recebeu apoio de seus colegas de profissão. “A classe artística de Belo Horizonte está indignada com a censura e já ameaça reagir caso eu seja processado", disse.
O presidente da Cooperativa de Músicos de Minas Gerais, Makely Ka, postou um manifesto em sua página no Facebook. “Quando uma marchinha de Carnaval incomoda os governantes, é sinal de que alguma coisa está acontecendo, prova cabal de que revolveu alguma coisa no sótão escuro das casas de família tradicionais", destacou.

Carnaval. Flávio Henrique explicou que a música foi inscrita no concurso de marchinhas da Banda Mole para o Carnaval da capital. “Vou aguardar o resultado. Se a marchinha for selecionada, terei que analisar com cuidado, junto com meu advogado, o que vamos fazer", disse.

A reportagem tentou entrar em contato com Léo Burguês para um posicionamento sobre a polêmica. Entretanto, não obteve retorno.

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