Após 44 anos, INSS paga pensão a idosas
por Léo Quintino
Do Estado de Minas:
A Justiça não falhou, mas poderia ter chegado mais cedo para um grupo de 12 advogados de Minas Gerais. Depois de 44 anos de espera, eles foram efetivados há três meses como funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e em seguida aposentados, passando a ganhar R$ 12,9 mil, correspondentes ao salário de procurador federal, valor que deveriam ter recebido a vida toda. Dos 12 autores da ação, entretanto, sete já faleceram. Dos cinco advogados vivos, todos com mais de 75 anos, dois desistiram da ação, depois de quase meio século de batalhas judiciais. A pensão demorou ainda mais a sair para as seis viúvas dos advogados falecidos (uma delas morreu sem ver um único centavo).
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Em um processo altamente desgastante, essas senhoras acima de 70 anos ainda precisaram entrar com petição judicial informando não ter sido contempladas pelo INSS. O valor, idêntico ao dos advogados, só começou a ser pago em 1º de novembro. Dez dias antes, entretanto, a mais idosa do grupo sofreu uma pequena queda e trincou a bacia. Maria do Carmo Amarante Leste, de 91 anos, ainda tem esperanças de deixar a cadeira de rodas e fazer uma viagem com a família, o único plano que tinha feito para o dia em que saísse a indenização do ex-marido. Nem mesmo o almoço de comemoração, em um restaurante chique, pôde ser realizado.
“Vai ser muito cruel se a minha mãe não puder aproveitar essa pensão tão sonhada. Ela tem uma saúde de ferro e tenho fé de que ela vai poder comemorar essa vitória”, afirma Suzana Amarante Leste, que mora em Brasília. Ela participa ativamente do processo que, depois de 44 anos parado na Justiça, encontrou uma solução em 2007, depois da denúncia publicada no Estado de Minas. A integralidade dos recursos recebidos por Maria do Carmo está sendo orientada para os serviços de fisioterapeuta, nutricionista e duas acompanhantes de idosos, que se revezam 24 horas nos cuidados com a pensionista. “Ela tem uma saúde de ferro e ainda está sendo acompanhada por bons ortopedistas. Os ossos já estão se restabelecendo bem”, tranqüiliza Suzana.
As outras não revelam a identidade e nenhuma delas agora aceita ser fotografada – não querem se expor, têm medo de retaliação e até de seqüestro –, embora restem cerca de R$ 7 mil depois de descontada a parte do Imposto de Renda e os honorários dos advogados envolvidos há 40 anos na ação. “Agradeço a Deus todos os dias essa pensão, que me trouxe uma grande paz ao saber que poderia prover a minha sobrevivência sem o auxílio dos filhos”, revela uma delas, que estava trabalhando até então para se manter.

06-02-08 18:24:07,