Aliados dominam 2º escalão na PBH

por Léo Quintino Email

No Estado de Minas, de Leonardo Augusto:

PT e PSDB controlarão secretarias-adjuntas das pastas temáticas e de cinco regionais, e suplentes de vereador terão prioridade na distribuição de cargos na administração

Prefeito Márcio Lacerda pretende pulverizar o poder político dos partidos nas administrações regionais, exceto entre petistas e tucanos

A maior parte do filé do segundo escalão da Prefeitura de Belo Horizonte vai ficar nas mãos do PT e do PSDB. Os dois partidos indicarão nomes para secretarias-adjuntas das chamadas pastas temáticas (Políticas Sociais, Políticas Urbanas e Educação, por exemplo) e também ocuparão os mesmos cargos nas cinco regionais que controlam na cidade: Pampulha e Barreiro, no caso dos tucanos, Venda Nova, Centro-Sul e Oeste, com os petistas. O anúncio foi feito pelo prefeito Márcio Lacerda (PSB) durante reunião na prefeitura, com presidentes dos partidos que participaram da coligação que o elegeu.

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Ficou definido ainda que suplentes de vereador terão prioridade na ocupação dos cargos. Nesse sentido, o PPS deverá se juntar a tucanos e petistas na distribuição dos cargos. A ex-vereadora pelo partido Sílvia Helena, que não conseguiu se reeleger, é cotada para assumir a Secretaria-adjunta de Assistência Social ou a de Direitos Humanos, ambas atreladas à Secretaria de Políticas Sociais.

No PT, devem assumir cargos Vinícius Dantas, Tarcísio Caixeta – ambos eram vereadores e não conseguiram reeleição – e Doutor Nilton. A também ex-vereadora Neila Batista, agora suplente, teve mais votos que Vinícius e Doutor Nilton, mas não tem chances de ser chamada para o cargo no município por não ter apoiado Lacerda no segundo turno das eleições. Com relação especificamente a Caixeta, o suplente poderá ocupar um dos dois cargos de primeiro escalão que ainda não foram preenchidos: a presidência da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) ou a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).

No PSB, o suplente Fábio Caldeira, ex-secretário da Regional Oeste, não deverá ocupar cargos. Pretende se dedicar ao pós-doutorado que faz em administração pública. O partido ainda estuda os postos que gostaria de ocupar na prefeitura. Já é certo, no entanto, que vai reivindicar a secretaria-adjunta de uma regional. O pedido não vai poder envolver a administração Leste, ocupada pelo partido.

Lacerda informou ainda que os partidos de médio porte que o apoiaram na disputa pela prefeitura (PV, PTB, PPS e PSB) poderão indicar os adjuntos nas regionais, desde que não estejam no comando das administrações. Outro exemplo: o PPS, que comanda a Noroeste, não poderá indicar o adjunto naquela administração.

ESTRATÉGIA

A decisão faz parte de estratégia de Márcio Lacerda de tentar pulverizar o poder político dos partidos nas regionais. A regra do prefeito, no entanto, não vale para PT e PSDB. Durante o encontro com os líderes partidários, o prefeito deixou claro que os adjuntos das cinco regionais comandadas pelos dois partidos poderão ser indicados pelas próprias legendas. Lacerda quer evitar a mistura de tucanos e petistas. A exceção seria aplicada em casos de setores mais técnicos, como a Secretaria da Saúde, onde os dois partidos conviverão. “A forma de fazer política dos dois partidos é bastante diferente”, argumenta fonte próxima a Lacerda. Durante a reunião Lacerda afirmou ainda que os partidos de médio porte ficarão responsáveis pela maior parte das indicações para diretorias da chamada administração indireta (autarquias, fundações e empresas). Ontem, o chefe do Poder Executivo municipal indicou o empresário e ex-deputado estadual Eduardo Hermeto (PTB) para a presidência da Fundação de Parques e Jardins.

NANICOS

O prefeito pediu aos presidentes dos partidos que repassassem os nomes dos indicados aos cargos até ontem. Lacerda pretende anunciar os ocupantes dos postos até sexta-feira. Em seguida, o prefeito inicia outras negociações. Desta vez com os partidos de menor porte que o apoiaram na briga pela prefeitura, como PMN, PTC e PRP. Nesses casos, as conversas ocorrerão com os vereadores das legendas, que têm interesse maior na ocupação das gerências das regionais.

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