Ala do PT reage a Pimentel
por Léo Quintino
No Estado de Minas, de Leonardo Augusto:
Petistas ligados ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, manifestam incômodo pela indicação do ex-prefeito de BH a cargo no governo federal
A indicação do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) para cargo no governo federal provocou reação da ala do partido ligada ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Ambos disputam espaço na legenda para candidatura ao governo de Minas em 2010. O grupo ligado ao ministro fez chegar ao chefe-de-gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o incômodo pela a ida de Pimentel para a secretaria-executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Para tratar do assunto, o ex-prefeito esteve duas vezes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos 15 dias.
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Com a reação da ala ligada a Patrus, Carvalho cobrou a tradicional saída dos “panos quentes”. A saída da turma do ex-prefeito, então, foi a de colocar nas mãos de Lula a escolha do candidato do partido ao governo de Minas no ano que vem. “A proposta foi a seguinte: Pimentel assume o cargo no governo federal, Lula define o nome para 2010 e encerramos a polêmica”, conta fonte que intermediou a “negociação” com Gilberto Carvalho.
O revide da ala de Patrus é mais uma prova de que o grupo não engoliu a aliança feita por Pimentel com o governador Aécio Neves (PSDB) para lançamento da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, à Prefeitura de BH, colocando de lado a possibilidade de qualquer nome petista na cabeça de chapa.
E a julgar pelos fatos, o grupo de Patrus pode ter ainda mais motivos para reclamações no futuro. Pimentel – além de ser amigo da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, braço direito de Lula – vai desempenhar função no CDES que poderá colocá-lo ainda mais próximo do núcleo do governo federal.
Além de ficar responsável pela ponte com empresários para discussão de projetos que contarão com recursos do Fundo Soberano, um total de R$ 15 bilhões, Pimentel, ao mesmo tempo, terá a função de trabalhar pela candidatura de Dilma à Presidência da República em 2010. Por força do aspecto político, já está descartada a possibilidade de o cargo de secretário-executivo do chamado “conselhão” ter de volta o status de ministério, como à época em que o posto foi ocupado pelo hoje ministro da Justiça, Tarso Genro. A mudança teria de passar pelo Congresso, e existe o temor de que seja reprovada por criar estrutura maior e, consequentemente, mais gastos. Outro ponto é que, como ministro, Pimentel teria maior dificuldade para se empenhar na pré-campanha de Dilma.
Prestígio Com exceção dos constantes encontros com Pimentel, a prova anterior de carinho de Lula com o ex-prefeito de Belo Horizonte foi dada em 8 de dezembro do ano passado, no aniversário da capital mineira. De última hora, o presidente viajou à cidade para inauguração de apartamentos no Aglomerado da Serra, na Zona Sul de Belo Horizonte. Na cerimônia, não poupou elogios a Pimentel. O então prefeito eleito, Márcio Lacerda, conforme acerto prévio, não compareceu à inauguração, exatamente para manter os holofotes sobre o hoje ex-prefeito.

23-01-09 11:41:18,