Aécio admite que será candidato em 2010
por Léo Quintino
No Hoje em Dia, de Denise Motta:
O governador Aécio Neves (PSDB) anunciou ontem oficialmente que deixará o comando do Governo de Minas antes de 3 de abril de 2010, prazo máximo para a desincompatibilização de aspirantes a cargos eletivos na próxima eleição. Como terá que sair do cargo no início de abril do ano que vem, ele comandou ontem, pela última vez, a solenidade de Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto (Região Central), e defendeu um projeto nacional para o país.
Um dos nomes tucanos para concorrer ao Palácio do Planalto, ao lado do governador de São Paulo, José Serra, Aécio também avalia a hipótese de sair candidato ao Senado, caso não consiga viabilizar seu espaço no PSDB. O governador deixou a cidade sem dar declarações à Imprensa. Em seu discurso, convocou os mineiros a participarem de seu planejamento rumo ao Palácio do Planalto, em um modelo inspirado nos estadistas Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, e citou o nome do avô Tancredo Neves.
“É hora de reunirmos a nação inteira para a tarefa de promover as mudanças corajosas que a realidade exige. Esse projeto é o de construir uma nação que seja poderosa, sem ser arrogante, de desenvolver a economia, em termos sustentáveis, a serviço de todos os brasileiros; de buscar a ativa convivência solidária com os países vizinhos, sem hostilizar qualquer outra nação do mundo”, afirmou o tucano.
Aécio falou também em tom de despedida: “Ao presidir, pela última vez, esta celebração em que reverenciamos os valores herdados dos nossos antepassados, o faço com a mesma emoção e o mesmo sentimento com que compartilhei, pela primeira vez, com os mineiros, a liturgia desta cerimônia”, disse, amparado, anteriormente, por um discurso empolgado do prefeito de Ouro Preto, o peemedebista Ângelo Oswaldo. “Os mineiros hão de acompanhar o senhor rumo ao Planalto”, destacou o prefeito em seu discurso.
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Além de Ângelo Oswaldo, outra autoridade presente no evento ontem a comentar a respeito do desligamento de Aécio, no início de 2010, foi o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), cujo partido é da base aliada do Governo Lula. Ele disse repetir as palavras de Lula de que “é um privilégio o país poder ter uma disputa com Dilma e Serra e um luxo ter Aécio e Ciro Gomes”. Lacerda ainda lembrou que o Senado é um plano B para o governador tucano, tendo em vista suas dificuldades internas no PSDB. “Todos nós sabemos que é uma disputa dura dentro do PSDB”, comentou. Questionado se iria retribuir o apoio de Aécio dado na campanha do ano passado, o prefeito desconversou. “Política não se faz desta forma”.
Portando uma fita azul no pulso, militantes do PSDB tiveram acesso à solenidade e levaram bandeiras e faixas de apoio ao governador. “Surge o clamor - Aécio presidente”, dizia uma delas. Na mesma linha, uma faixa da Força Sindical: “Deu certo em Minas, vai dar certo para o Brasil - Aécio presidente”.
A pequena plateia na praça - na maior parte tomada pela estrutura do evento e cercada por um forte aparato policial -, também era composta por uma claque do PMDB Jovem, vestidos com camisas de apoio ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, pré-candidato do partido ao Palácio da Liberdade.
Para acessar o local do evento, era necessário portar credencial de homenageado, de integrante da organização ou de convidado. A assessoria de Imprensa do Governo informou que qualquer pessoa poderia ter acesso ao local da solenidade, mas diversos jornalistas sem credenciamento foram impedidos de entrar no local por policiais militares.
Aproximadamente 800 manifestantes do Fórum Sindical Social, que reúne 30 sindicatos, não tiveram destaque na solenidade ontem, uma vez que escolheram um local afastado do evento público oficial para reivindicar melhores condições de trabalho, salário e apontar falhas na política estadual envolvendo o funcionalismo. Eles se reuniram na Igreja das Mercês.
“Com Aécio, Minas não respira liberdade”, diziam várias faixas para denunciar o que eles chamam de práticas anti-sindicais. O Fórum Sindical Social nasceu em novembro do ano passado dentro de estatais como a Copasa e a Cemig. Em nota oficial, o Governo do Estado rebateu as acusações, alegando que mantém permanente diálogo com os sindicatos.
Na solenidade de ontem foram distribuídas 236 medalhas a quem “prestou relevantes serviços à Minas Gerais”. Entre os agraciados os ministros José Pimentel (Previdência) e Jucar Ferreira (Cultura), além do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB). A solenidade marcou a pré-abertura do Ano da França no Brasil, contando com um tapete de serragem, simbolo da manifestação popular de Ouro Preto.

22-04-09 09:06:37,