Acordo ainda gera polêmica
por Léo Quintino
Do Estado de Minas:
Grupos ligados aos ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci podem optar por não ter chapa de delegados e, assim, não influir na definição da política de aliança a ser adotada pelo PT
O grupo de petistas ligado aos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) pode ficar de fora da votação do Diretório Municipal em 6 de abril sobre a aliança para a sucessão em Belo Horizonte. Incomodados com a condução das negociações para o acordo com o PSDB, restrita a um grupo do partido, os parlamentares afirmam que podem não inscrever uma chapa para concorrer à eleição dos 402 delegados que decidirão o processo. A principal crítica é ao fato de a chapa já ser completa, com definição dos nomes dos candidatos a prefeito e vice, respectivamente o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB), e o deputado estadual Roberto Carvalho (PT).
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Amanhã é o último dia de inscrição e , até agora, somente o grupo dos defensores da aliança com um partido neutro apresentou chapa completa, com mais de 500 nomes. As chapas são as que disputam no dia 30 as vagas de delegados que votarão posteriormente as teses de aliança no partido. O grupo de Patrus está descontente com a sua exclusão das negociações sobre a aliança. Nos bastidores, a informação é de que a Prefeitura de Belo Horizonte estaria pressionando, inclusive tendo feito reunião com os ocupantes de cargos comissionados na administração, para garantir ampla maioria na aprovação da tese da dobradinha com os tucanos com Lacerda e Carvalho. Enquanto isso, o grupo de Patrus teria simpatia pelo nome da reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazolla (PSB) para encabeçar a chapa à prefeitura.
Com o aval de Patrus e Dulci, o deputado estadual André Quintão chegou a tentar adiar em 15 dias a escolha do partido para ampliar o debate, mas a direção municipal não aprovou o pedido. “Vamos decidir na segunda-feira, mas há possibilidade de não apresentarmos chapa de delegados, pois me parece que essa votação será muito mais para chancelar uma tese do que para promover um diálogo aberto”, afirmou. Quintão voltou a alertar para a necessidade de abrir a discussão para a escolha dos nomes que estarão na chapa. “O ministro Patrus nunca vetou a aliança, mas, se o método usado for a imposição de nomes, a presença efetiva dele e de outras lideranças na campanha ficará comprometida.”
Apesar de favorável à aliança com o PSB, o vereador Arnaldo Godoy também reclama a exclusão de parte do partido na formação da chapa. “Achamos que a tese é pertinente, mas deveria contemplar uma outra parte do partido que ficou de fora. Mas, como não vamos apresentar nenhuma outra tese, a minha posição é de que não devemos participar”, afirma.
REAÇÃO “Às vésperas da decisão sobre a dobradinha com os tucanos, o PT enfrentará outra reação esta semana. A Coordenação dos Movimentos Sociais e a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais convocaram para amanhã reunião com todos os representantes de sindicatos, associações de bairros e outros movimentos. Eles votarão um manifesto apresentado pela CUT em repúdio à aliança que reunirá petistas e tucanos. Para o secretário-geral da CUT Minas, Carlos Magno, os partidos são como água e óleo. “Queremos deixar claro que os movimentos sociais não fazem ingerência sobre o partido, o que estamos fazendo é mostrar um posicionamento de princípios contra essa política de alianças do PT.” Depois de aprovado, segundo o sindicalista, o documento será distribuído à população esta semana, na Praça Sete, Centro da capital.

23-03-08 18:24:08,