A queda-de-braço diplomática

por Léo Quintino Email

No Tempo

Lula que esfriar polêmica, mas lideranças italianas insistem em interferência de Berlusconi. Supremo autorizou que jornalistas entrevistem Battisti na prisão em Brasília

A queda-de-braço entre os governos brasileiro e italiano por conta da concessão de asilo político ao ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti está longe do fim. O Palácio do Planalto quer esfriar a polêmica gerada pela concessão do refúgio. Mas ao contrário do que espera o Brasil, o governo da Itália deu sinais de que não acredita mais em uma solução política para a crise.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) baixou ontem uma espécie de "lei do silêncio" com relação ao caso. A avaliação do Planalto é de que a melhor maneira de lidar com casos como este é deixar com que o tempo esfrie os ânimos. O porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, disse que não há mais o que comentar sobre o tema. "O presidente Lula considera que este assunto está encerrado", afirmou Baumbach. Segundo o porta-voz, Lula não irá comentar a decisão do Ministério das Relações Exteriores (MRE) do país, de chamar para consultas o embaixador no Brasil, Michele Valensise.

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Já na Itália, em nota oficial, o MRE informou apenas que confirmou a ordem para que o advogado que representa o governo italiano "percorra todas as opções do ordenamento jurídico do Brasil que possam conduzir ao objetivo de obter a extradição de Battisti". Ontem foi o primeiro encontro do governo com Michele Valensise.

Além disso, a pressão continua crescente para que o ex-presidente Silvio Berlusconi interfira no caso. O líder da bancada do partido Liga Norte no Parlamento Europeu, Mario Borghezio, pediu a extradição de Battisti ao embaixador brasileiro junto à União Européia, Ricardo Neiva Tavares. Antes do encontro com Tavares, que ocorreu de forma imprevista, Borghezio distribuiu panfletos dentro da sede diplomática brasileira na UE com a mensagem "Battisti é um terrorista criminoso, extradição!". "Temos a intenção de tornar o caso Battisti um caso europeu", disse Borghezio.

A principal força de oposição da Itália, o ex-prefeito de Roma e líder do Partido Democrata, Walter Veltroni, chamou a posição do Brasil é inaceitável. O presidente da Corte Constitucional da Itália, Giovanni Maria Flick, e o vice-presidente da bancada governista na Câmara dos Deputados da Itália, Italo Bocchino, reforçaram o coro de indignação diante do Brasil.

Entrevistas. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou ontem que jornalistas entrevistem Cesare Battisti no presídio da Papuda, em Brasília.

Serão autorizadas as entrevistas solicitadas formalmente no processo de extradição e elas devem ocorrer com e presença do advogado do ex-ativista, Luiz Eduardo Greenhalgh.

 

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