A falha no Google

por Léo Quintino Email

No Comunique-se, de Bruno Rodrigues*:

Bem feito - para todos nós. Depositar toda a confiança do mundo em um programa de computador me lembra as visões mais rasas do que seria o mundo no século XXI e me remete imediatamente a HAL, o computador que ‘em tudo mandava’ do conto/filme ‘2001′, aquele que despachava a tripulação da nave Discovery, literalmente, para o espaço.

Um erro em mecanismo de busca incensado como o Google e - pam! - milhões de usuários espalhados por todos os continentes entram em pânico. Foi no sábado, e participei, com minha esposa, deste ‘happening’ infeliz. Ao usuário entrar no Google, seja qual busca que se fizesse, em qualquer idioma, os retornos eram apontados como ‘perigosos’.

...

O recado era: entre em qualquer um dos sites, e será o fim. Para quem está habituado a navegar na web a partir do Google, foi um literal ‘meu mundo caiu’. O que, a bem da verdade, é uma besteira das grandes. Eu, por exemplo (e não sou o único, óbvio), costumo abrir o Explorer ou o Firefox e digitar o endereço do site que quero acessar. Sendo assim, sem drama: no sábado, se não estivesse ao lado da Ana, que acessa a internet via Google, estaria tudo bem, tranquilo.

Claro que minha esposa não se abalou: havia visivelmente um erro, mas era desagradável navegar por aí com a pulga atrás da orelha. Estaria a web inteira infectada, seria o Armaggedon virtual?

Era um problema que foi resolvido rapidamente, depois o Google avisou. Mas o estrago já estava feito - estrago momentâneo, sejamos sinceros, afinal o grande ‘G’ tem uma imagem que, para ser arranhada, nem que seja um tiquinho, é preciso que o problema seja muito, muito grave. É admirável: qual marca tem este poder?

Lição da história: voltamos ao início, lá por 1995, quando a AOL (America On Line) tinha a pretensão de ser a ‘portal de entrada’ da recém-criada WWW. Era um visão quase ingênua da Rede, e por isso falhou desde o início. Seriam precisos dez anos até que esta realidade, quase utópica, fosse recuperada pelo Google.

O improvável tornado impossível era agora parte do dia-a-dia dos internautas do século XXI: um site mandava na web, e milhões eram seus súditos.

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HAL, o infeliz computador de ‘2001′, era abandonado no espaço junto com uma Discovery vazia e fantasmagórica nos minutos finais do filme. É ruim que o Google deixaria a história terminar assim - Arthur C. Clarke e Stanley Kubrik tinham muito que aprender, ah, se tinham…

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1. Para quem não conhece meu blog, dê uma checada no http://bruno-rodrigues.blog.uol.com.br.

2. Gostaria de me seguir no Twitter? Espero você em twitter.com/brunorodrigues.

*É autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, “Webwriting - Pensando o texto para mídia digital", e de sua continuação, “Webwriting - Redação e Informação para a web". Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.

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