PSDB e PT se armam para "guerra" em blogs e portais
por Léo Quintino
No Estado de Minas, de Daniela Lima:
No laptop aberto sobre a mesa da sala de reuniões, a tela do computador revela uma infinidade de endereços eletrônicos organizados para consulta diária. De portais de grandes veículos de comunicação a pequenos blogs, tudo é minuciosamente avaliado. O homem que passa o pente fino no enorme capital de informações virtuais é um dos mais importantes na estratégia do PSDB para enfrentar a força da militância do PT nestas eleições. Eduardo Graeff, cientista político que foi secretário-geral da Presidência da República durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso e amigo de José Serra desde 1978 é um dos comandantes da guerra que os tucanos travarão na internet, de olho num universo de pelo menos 44 milhões de eleitores.
O PT também não perde tempo e vai na mesma direção ao investir pesado na campanha pela rede mundial de computadores. Além de contratar um especialista em campanha na internet que atuou na campanha do presidente dos EUA, Barack Obama, o partido pretende invadir as caixas de e-mails para municiar 518 mil filiados com informações sobre os adversários, principalmente, o candidato tucano.
Resposta:
Eduardo Graeff coordena, ao lado de outros nomes de destaque do partido, a estratégia que o PSDB começou a traçar desde o ano passado pensando no potencial eleitoral da internet. Ele não trabalha com a possibilidade de ganhar votos com o debate virtual. É categórico ao afirmar que o eleitor que procura informações sobre políticos, geralmente, já tem predileção por algum candidato. Graeff trabalha para conseguir o que chama de “infantaria”.
A internet será a principal arma do PSDB para angariar aquilo que ainda é uma herança poderosa e invejada do Partido dos Trabalhadores: a militância. “Somos ruins de organização da base. O PSDB é um clube parlamentar. Para competir com os outros partidos, tudo bem. Mas para competir com o PT, não dá. O PT tem infantaria, a militância”, explicou.
A intenção dos tucanos é abastecer com informações — ou munição — os simpatizantes da candidatura de José Serra à Presidência, desde números comparativos entre a gestão de FHC e a do presidente Lula até ataques pessoais à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata petista.
O PSDB hoje conta com pelo menos cinco blogs direcionados a militantes. O Gente que mente, no ar desde o ano passado, aposta na ironia e na crítica. A fotografia de um caminhão atolado em uma rodovia ilustrava o site na última quinta. Ao lado da imagem, a legenda: “Dilma dirigindo o Programa de Aceleração do Crescimento na Cuiabá-Santarém”. “A sátira funciona bem com nosso pessoal”, diz Graeff.
Mas há sob a batuta dos tucanos espaços que não ousam tanto. O blog “Brasil com S” dá a senha para aqueles que querem travar um debate qualificado. São artigos, números, textos repletos de informações técnicas e políticas. “O que a gente quer é que as pessoas vejam, recebam bem e divulguem e debatam isso. A internet é, em si mesma, um meio de organização”, acentua o cientista político.
O PSDB investiu pesado para montar toda essa estrutura — que ainda não está pronta. A página oficial do partido será reformulada. Dará mais destaque às notícias produzidas pela Agência Tucana. Um time de peso foi escalado para coordenar todo o trabalho. Um grupo de jovens da Loops Mobilização Social, que trabalhou na campanha de Fernando Gabeira em 2008 à Prefeitura do Rio, faz parte da equipe. A jornalista Cila Schulman, que trabalhou na campanha de Gilberto Kassab à prefeitura da capital paulista, também foi escalada. O responsável por montar a plataforma de tecnologia das doações para o Teleton — programa que arrecada dinheiro para crianças atendidas pela Associação de Assistência à Criança Deficiente no SBT —vai viabilizar a arrecadação de fundos pela internet.
Exemplo na disputa americana
Foi a eleição presidencial dos Estados Unidos que deu o destaque definitivo ao papel da rede mundial de computadores nas disputas eleitorais. “Obama conseguiu tocar o público com a mensagem, mas também fez a campanha americana mais cara. Ele investiu pesado. Tinha cinco mil pessoas remuneradas para inflar debates na internet”, explicou o Eugenio Giglio, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e sócio do Instituto Posicione, que faz pesquisas na área.
Obviamente, o PT não quer ficar atrás nessa disputa. Importou Ben Self, homem que trabalhou na campanha de Obama na internet, para cuidar da escalada de Dilma. O partido também lançará mão da Web para municiar a militância. Parte para a briga com um capital maior que o do PSDB, pretendendo espalhar pelas caixas de e-mails dos 518 mil filiados informações para as eleições. Trabalharão na mesma lógica que o PSDB. Querem armar a militância para o “combate”.
Mesmo candidaturas fora da polarização entre PT e PSDB investirão pesado nos espaços virtuais. Coordenador da Campanha da senadora Marina Silva (PV-AC) à Presidência, Marco Mroz conseguiu chamar para o seu time Caio Túlio Costa, que trabalhou em projetos do Gmail (braço de e-mail do grupo Google) e do Uol. “Vamos focar nos jovens, em especial nos que têm até 30 anos", avisou.

16-03-10 08:17:45, 