Número de inadimplentes cai, mas valor da dívida aumenta

por Léo Quintino Email

No Tempo, de Janine Horta:

Com IPI reduzido e promoções, consumidor optou por bens mais caros e complicou as finanças. Valor médio do cheque sem fundo cresceu 44,9% em um ano

As pessoas estão quitando mais suas dívidas e retirando seu nome das listas de devedores, mas o valor dos débitos está maior, o que aponta que o consumidor está investindo em bens mais caros. Pesquisa divulgada ontem pela Serasa Experian revela que a inadimplência teve queda de 5,3% no primeiro bimestre de 2010 em relação ao mesmo período de 2009. Por outro lado, os valores médios dos cheques devolvidos aumentaram 44,9% e o valor médio das dívidas com os bancos aumentou de R$ 1.371 para R$ 1.396,98, um salto de 1,9%. Somente em relação ao valor do cheque especial, o endividamento aumentou 5,1% em janeiro deste ano em relação a dezembro passado.

Resposta:

Para a coordenadora de economia da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Silvânia de Araújo, uma das explicações para esse comportamento foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 2009, que facilitou a aquisição de bens mais caros, como automóveis, casa própria, materiais de construção e eletrodomésticos, juntamente com um melhor planejamento do orçamento doméstico, evitando gastos menores e desnecessários. “Na sondagem sobre orçamento doméstico que realizamos recentemente, detectamos que 80,3% das famílias estão planejando mais os gastos. Acredito que a divulgação de campanhas educativas sobre educação financeira tem colaborado para esse fato", afirma.

Já para o diretor de novos negócios e desenvolvimento da SysOpen, empresa especializada em soluções para recuperação de crédito, Wellington Gomes, não há ainda uma tendência de maior educação financeira entre os consumidores. “O que houve realmente foi um grande aumento do consumo após a crise. Os bancos voltaram a conceder crédito por se sentirem mais seguros para isso e as pessoas aproveitaram esse momento e se endividaram, principalmente com bens favorecidos pela redução do IPI, que são os mais caros", explica. Para Gomes, a tendência é que a curva do endividamento continue como atualmente, com queda na inadimplência geral, mas com constante aumento nos valores das dívidas.

Nessa situação está Geraldo Fernandes, 60. “Já paguei todos os 12 cheques meus que voltaram, mas ainda estou pagando R$ 37 reais por cada um. É uma exigência do Banco Central pagar por cada cheque que volta, mas acho um absurdo!”

O vendedor João Ferreira Donato, 40, viu uma dívida de R$ 2.000 com um supermercado pular para R$ 4.300 em três meses. “Quero pagar, mas está difícil. Eu estava desempregado e por isso a dívida cresceu. E agora, que consegui um emprego, a empresa que me contratou exige que eu quite minhas dívidas", conta.

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