Seguro passa de garantia a sinônimo de dor de cabeça

por Léo Quintino Email

No Tempo, de Tatiana Lagôa:

Quem já bateu o carro alguma vez na vida sabe a dor de cabeça que dá. Para alguns, os transtornos se estendem por meses num verdadeiro embate com as seguradoras, que nem sempre cobrem o dano com a rapidez esperada. Há casos em que o carro chega a voltar do conserto com defeito. E fica a questão: o erro é da seguradora ou da oficina para onde o veículo foi mandado?

Essa é a dúvida que o empresário Gláucio Bastos Marques Aguiar carrega há quase um mês. A picape que ele comprou para sua empresa foi batida por um dos funcionários, no último mês de outubro. Ele acionou a seguradora e exigiu que o carro fosse levado para uma concessionária, afinal era um carro novo. “Não quis levar em uma oficina porque, na concessionária, tinha garantia de que as peças colocadas seriam originais".

Resposta:

Depois de dois meses no conserto, a picape voltou com defeito. “Eles arrumaram só o que era de lataria e deixaram o carro com problemas de suspensão", conta. Agora ele espera uma solução, sem saber se quem deve resolver o problema dele é a concessionária ou a seguradora.

Segundo a advogada do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Maíra Feltrin Alves, a responsabilidade é das duas. “Nesse caso, a responsabilidade é solidária. O cliente pode cobrar que a má prestação do serviço seja consertada tanto da oficina quanto da seguradora", orienta.

Mas esse não é o único problema encontrado por segurados na hora de recorrerem à seguradora após um acidente. “O mais comum é a recusa em cobrir o dano", afirma a coordenadora do Procon de Belo Horizonte, Maria Laura Santos.

Foi o que aconteceu com o mecânico Fabiano Costa Cordeiro, que bateu o carro há seis meses. O seguro dele cobria roubo, furto e acidente com perda total do veículo. Com a batida, o carro não teve conserto e ele teve que vendê-lo para o ferro-velho. A seguradora, porém, não considerou um caso de perda total. A empresa alegou que, apesar de não ter como consertar o veículo, apenas 50% dele estava danificado. “Agora entrei na Justiça. Meu advogado disse que a seguradora tem que cobrir sim. Eles não pagam e esperam a gente processá-los. Isso é uma falta de compromisso", afirma.

Dinheiro de volta. Um consumidor que não quis ser identificado teve o veículo acidentado em dezembro de 2009 e acionou a seguradora. A briga começou quando ele quis levar o carro para uma concessionária, e não para a oficina indicada pela seguradora. Conseguiu o que queria, mas teve que pagar a diferença de preços entre um estabelecimento e outro, que foi de R$ 426.

Ele procurou o Procon e, no final de janeiro deste ano, teve o dinheiro devolvido. “Eu sou cliente de lá há uns 15 anos, tenho mais quatro carros segurados na empresa. Vou repensar a renovação", afirma.

Onde reclamar

Lugar certo. Quem tiver algum problema com a seguradora deve entrar em contato com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) pelo telefone: 0800 0218484 ou pelo “Fale conosco” do site www.susep.gov.br

É PRECISO CONHECER AS MINÚCIAS DO CONTRATO

Antes de contratar qualquer seguradora é preciso conhecer cada linha do contrato. “Hoje seguro não é tão seguro assim. O ideal é conhecer o que está contratando, para depois não ficar na mão, ou melhor, a pé”, aconselha o coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa.

Segundo ele, muitos consumidores não lutam por seus direitos porque não os conhecem.
O aposentado Danilo José Barbosa conhecia bem o contrato que havia assinado, o que facilitou uma solução quando bateram em seu carro. Ele acionou imediatamente a seguradora e, enquanto o veículo esteve no conserto, não ficou a pé. “O carro ficou 82 dias na oficina, e durante todo esse tempo eu fiquei com um carro que a seguradora alugou para mim”, afirma.

O coordenador do Procon conta que esse é um direito que todos têm, caso o conserto demore mais que o combinado. “Se tiver que alugar um carro, a seguradora tem que arcar com esse valor”, afirma.

Saiba mais

Em 2008

O Procon de Belo Horizonte recebeu 81 atendimentos referentes a problemas com seguradoras de veículos, sendo que 29 se caracterizaram como reclamação mesmo.

Em 2009

O número de atendimentos subiu para 302 e o de reclamações, para 47.

Em todo o país

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) fez 4.395 atendimentos de reclamações e dúvidas sobre seguros de carros em 2009, o correspondente a 12,7% do total de atendimentos do órgão.

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